A rota que sai de Três Corações em direção a Caxambu atravessa um trecho de serra que exige atenção — curvas fechadas, asfalto que ora está perfeito, ora te surpreende com um remendo. Mas é justamente esse contraste que torna a viagem interessante. Você nunca sabe o que vem depois da próxima curva.
Chegando à cidade, o primeiro impacto é a escala humana do lugar. Ruas tranquilas, prédios antigos de fachada azulejada, e o Parque das Águas logo ali, abrindo seus portões com aquela elegância de estância do começo do século.
O Parque das Águas de Caxambu é um patrimônio histórico — e se sente assim. Coreto centenário, quiosques com as fontes numeradas, e o cheiro peculiar do enxofre que paira no ar como um aviso de que aquilo ali não é água comum. Cada fonte tem sua composição, sua temperatura, seu sabor.
Provar a água da Fonte Venância é uma experiência à parte. Fria, gasosa, levemente salgada — nada que você esperaria encontrar brotando direto do chão numa cidade serrana.
A volta sempre tem um sabor diferente. O sol já está mais baixo, a temperatura caiu uns graus, e a serra ganha aquela luz dourada do fim de tarde que faz qualquer estrada parecer cinematográfica. É nesses momentos que você entende por que a gente não para de andar.
Caxambu ficou marcada como uma viagem de transição — depois dela, a gente entendeu que não bastava chegar, era preciso também sentir o lugar. Cada cidade tem seu ritmo, e o segredo é se deixar contaminar por ele.