A subida até São Tomé é um rito de passagem para qualquer motociclista da região. A estrada sobe em serpentinas fechadas, com pedras no acostamento, neblina que aparece do nada e uma paisagem que vai mudando de verde para cinza à medida que a altitude aumenta.
A cidade foi construída sobre as rochas — e isso é literal. As casas são feitas de quartzito, as ruas são de pedra, e em vários pontos o chão é a própria rocha da montanha. Parece que a cidade brotou de dentro da serra.
São Tomé tem fama de cidade mística — e você entende o porquê quando chega lá. Tem algo no ar, na luz que reflete nas pedras brancas, no vento que vem de todas as direções. As pessoas falam de energias, de visões, de coincidências impossíveis. A gente não afirma nem nega — só sentiu.
Quando o sol bate nas pedras de quartzito branco no fim da tarde, a cidade inteira parece brilhar de dentro pra fora. É um visual que não dá pra fotografar direito — tem que estar lá para entender.
Nos arredores de São Tomé há grutas com inscrições rupestres, cachoeiras escondidas nas dobras da serra e mirantes que mostram o horizonte de Minas até onde a vista alcança. A gente chegou, subiu a cidade de moto devagar, explorou a pé o que conseguiu.
São Tomé das Letras entrou na lista das cidades que pedem retorno. Uma visita não é suficiente — tem muita coisa escondida naquelas pedras para ser descoberta em um único dia.