A chegada a Poços de Caldas é diferente de qualquer outra cidade que visitamos. A estrada desce em espiral para dentro da bacia vulcânica, e você sente literalmente que está entrando numa caldeira. As montanhas ao redor formam uma parede circular que emoldura a cidade.
A cidade é grande para os padrões do sul de Minas — tem teleférico, Cristo Redentor no alto do Morro São Domingos, balneários termais, e uma arquitetura do início do século que conta a história de quando a elite paulista e mineira vinha aqui tomar as águas.
O teleférico é parada obrigatória. Ele sobe até o Morro São Domingos, onde fica o Cristo Redentor local — menor que o do Rio, mas com uma vista que não deve nada. Lá de cima, você vê a cratera inteira com a cidade no centro. A escala do lugar fica clara.
Ver a cidade lá de cima é entender de onde ela veio — uma explosão de milhões de anos atrás criou aquela bacia, e os humanos chegaram depois, cavaram a terra e encontraram água quente. E ficaram.
As termas de Poços são as mais elaboradas da região — piscinas de água mineral aquecida, jatos, cascatas. Depois de horas na moto, mergulhar numa piscina termal é um luxo que você se permite sem culpa.
Saímos de Poços com a sensação de que precisávamos de mais um dia. A cidade tem camadas — turística na superfície, mas com uma profundidade geológica e histórica que vai sendo revelada à medida que você a percorre.