MOTOMUNDI // viagens de moto · brasil · 2024
Trem de São Lourenço MG
← Home / São Lourenço
3ª Viagem · Termas · Mantiqueira · ⭐ Especial

SÃO LOURENÇO — MG

Só um mês depois dessa viagem é que a gente entendeu o que estava acontecendo naquele dia. A Ranya passou mal na estrada — e a gente parou a moto no meio da serra sem saber que estava carregando uma surpresa maior do que qualquer destino que já tínhamos planejado.

Buquê de flores em São Lourenço
São Lourenço · O buquê que a Ranya não sabia o porquê de querer tanto · 2024

A viagem para São Lourenço começou como todas as outras — motos preparadas, rota definida, expectativa alta. A estrada de Três Corações sobe devagar pela Mantiqueira, atravessa trechos de mata fechada, passa por fazendas e pequenas cidades que parecem paradas no tempo. Era uma manhã boa para andar.

Mas lá pelo meio do caminho, a Ranya deu sinal. Parei a moto no acostamento — aquele tipo de parada que não estava no roteiro. Ela estava passando mal. Enjoo, tontura, aquela sensação de que o corpo está pedindo uma pausa que não combina com a velocidade da estrada. A gente ficou ali, no acostamento, esperando ela se recuperar.

// A Parada que Não Estava no Mapa

Serra ao redor, silêncio de estrada, o vento batendo suave. Ela bebeu água, respirou fundo, e depois de um tempo a gente seguiu. Atribuímos ao calor, ao café da manhã, às curvas fechadas da serra. Essas coisas acontecem. A gente nem pensou em voltar — e ainda bem.

A porta do quarto se abriu e o mundo pareceu parar por um segundo. Ali, entre o perfume das pétalas e o silêncio cúmplice do hotel, a gente celebrou nosso primeiro ano. Mal sabíamos que o maior presente daquela viagem não estava no buquê, mas já viajava com a gente.

// A Chegada no Hotel

Depois de rodar pelas ruas charmosas de São Lourenço, o check-in no hotel trouxe aquela sensação de "missão cumprida". Mas eu tinha um plano. Quando a Rânya entrou no quarto, os olhos dela brilharam de um jeito que eu nunca vou esquecer. Sobre a colcha esticada, um buquê de flores esperava por ela — um gesto clássico, mas que ali, nas nossas Bodas de Papel, ganhava um peso de eternidade.

A gente sentou na beira da cama, cercados por aquele carinho planejado, e brindamos ao nosso primeiro ano de casados. O quarto tinha aquele acolhimento típico do sul de Minas, e a recepção foi o toque final para transformar uma viagem de aniversário em uma extensão da nossa lua de mel.

// O Mistério de Elena Vitória

O mais louco de rever as fotos dessa recepção e do buquê é perceber como o destino é detalhista. A Rânya sorrindo com as flores, a gente celebrando o "nós", enquanto a Elena Vitória já era nossa passageira silenciosa. Naquele momento, o buquê era para a esposa; hoje, a gente olha para trás e vê que aquelas flores também já saudavam a mãe que estava florescendo ali dentro.

São Lourenço não foi apenas uma viagem de um ano de casados. Foi o último capítulo da nossa vida em dupla e o prefácio da nossa história como família. Um brinde que a gente fez a dois, mas que o universo já sabia que era por três.

Descoberta um mês depois
A VIAGEM DA ELENA

Quando o teste deu positivo, a primeira coisa que a gente fez foi olhar para essa viagem. São Lourenço foi a primeira aventura da Elena — ela só não sabia ainda. Nem nós. A parada na estrada, o enjoo, o buquê de flores, o trem antigo. Tudo faz mais sentido agora. Esta é a viagem mais especial do MotoMundi — não pela cidade em si, mas pelo passageiro invisível que estava com a gente naquele dia. Bem-vinda à estrada, Elena.

Trem de São Lourenço
Buquê de flores em São Lourenço
Trem novo de São Lourenço
São Lourenço MG